Entre a chuva e o supersônico
Das inevitáveis coisas que se devem mostrar em qualquer show num local fechado, eu não preciso falar, né? Então vou pular essa parte, vamos à abertura, o local e o show:
As bebidas não eram das melhores , inclusive a cerveja - meu Deus, quem foi que improvisou aquele barzinho? o nome do local possui "Skol" no meio, e os caras começam a vender cerveja "Sol" - , mas pelo show valia se brindar com alguém.
Chovia muito, entre meus pensamentos e minha capinha de chuva, a banda " Cachorro Grande" entrou no palco, para eles não foi um "dia perfeito" como cantam, pois a maioria do público não estava com o mínimo saco para ouvi-los (exceto os que já gostavam deles, como eu), e alguns gritavam "Sai dai cachorro molhado, cadê o Oasis?" - Uau! Uma super educação e respeito com o artista, não?- a parte técnica estava ruim, inclusive somente a "área vip" ouviu uma de suas músicas; e além da chuva, já dita, que fez com que as conversas e os vendedores de capas de chuva chamassem mais atenção que a própria banda, mas o legal é que o Beto Bruno (vocalista) foi inteligente e soube levar numa boa todos esses probleminhas, bem como admitiu que também estava louco para assitir ao show (sim, eu achei educado e simpático demais da parte dele dizer isso, mesmo sabendo que ele é fã do Oasis).
A chuva foi passando...Era estranho estar ali, muito bom, mas ao mesmo tempo estranho, lembrei da minha infância e de como comecei a ouvi-los, e como consequentemente me tornei uma fã, claro, não daquelas fãs que chegaram a uma da tarde na fila pra ficar bem na frente, seguir o carro dos Gallagher, só pra tirar foto com eles, como alguns fizeram, e coisinhas do tipo, não, isso é piegas demais pra mim, pois, afinal, por mais que eu goste deles, o que eles são? Seres humanos comuns que fazem um som incrível... e que som...
Bastou o Oasis entrar no palco e fazer o que em quinze anos fazem muito bem: O bom e velho rock britânico. Eu esperava que a produção não fosse grandes coisas, já estava decepcionada antes do tempo, porém as luzes falaram por si só. Eles envelheceram, isso foi fato visível... em qualquer telão do palco, que filmava seus rostos, dava pra ver as ruguinhas dos caras (comentário de mulherzinha à parte). Estão mais profissionais e rigorosamente pontuais, não atrasaram o show , mas isso é o que há de menos, o importante é que os irmãos Gallagher estão a mesma coisa, brigando de vez em quando, e nunca compromentendo o estilo da banda.
Noel continua tocando muito, Lian com o mesmo tom de voz, com as mãos atrás das costas, encurvado no microfone, marrento e polêmico, como sempre, aliás, no show, até comentei com meu amigo, que o vocalista estava simplório demais, nenhuma polêmica, nenhumazinha, estranho demais, não que o modo de ele agir seja certo ou errado, mas quem é fã da banda, já está acostumado com suas declarações nem sempre pertinentes sobre as coisas, porém, eu estava enganada o próprio disse outra pérola nesse último show , entre as reclamações em inglês que quase ninguem conseguiu entender, após se irritar com um fã que pediu "don't go away" e fez sinais feios a ele "we chose the songs, you listen" - "Nós escolhemos as músicas, vocês escutam...", tirando sua ameaça de parar o show- típico de Lian Gallagher- por causa das pessoas causadoras da área vip, jogando coisas no palco .
O local ficou apertado, não pelo espaço, mas sim pelas pessoas que o ocupavam, era praticamente uma relação sexual entre vinte e cinco mil pessoas numa posição só, ali, ninguém era melhor que o outro, ali não havia Kama Sutra, e as mãos eram somente um gesto de euforia tentando um "dig out your soul".
Enfim, foi um bom show, e apesar dos pequenos problemas, ouvir Oasis com cara de poucos amigos cantando Wondewall...não tem preço, quer dizer, até tem, mas deixa esse detalhe pra lá.
K.C
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