Pelo o Que Ainda Existe

Jesus Cristo que me perdoe, mas o mundo 'perfeito' que Ele ajudou constituir, anda cada vez mais estranho, bem mais que  beber e ficar olhando para o teclado do notebook para ver se as teclas estão se movendo.
Shoppings cheios,  tudo em 12 vezes no Cartão de Crédito - você aceita minha cuequinha também, no parcelamento?- , mulheres mandando flores pra si mesmas, ou então se empanturrando de chocolate para chorarem e  fazer aquele sadomasoquismo depois, de como vai ser difícil perder os quilos que ganharam. Homens se lamentando feito coitadinhos, nas redes sociais, que estão solteiros, que querem um amor e não encontram - ah, que peninha, outros cavulcando a agenda do celular pra ligar para a pessoa menos pior que sairam nos últimos cinco meses, só pra sair, e não passar o dia sozinhos. "Diga o que disserem, o mal do século é a solidão...". Ih, Renatão,  desculpe a intimidade, mas você estava certo...

Tudo bem, tem o lado compreensível,  sendo comercial ou não, é "Dia dos Namorados". O mito da data foi criado e ponto. É  entendível também, que o comércio é forte, e que ganhar um presente da pessoa que você gosta - ou não, cai bem, e é mais compreensível ainda que o sentimento humano também possui o seu ímpeto, suas fragilidades, mas calma lá, para quê ficarmos mais neuróticos que já somos numa data? O "Dia dos Namorados" inventou o amor, por acaso?



Acredito que não.  O que este dia inventou foi  a paranoia brutal  do "fazer qualquer coisa pra não ficar sozinho" - " cada um de nós imerso em sua própria arrogância esperando por um pouco de afeição.", assim completou Renato Russo. Claro, toda regra possui seu excedente de exceção, há casais que se gostam, e não se incluem na hipocrisia dos que não se suportam,  muitos deles se dão bem, ligam pouco para o  "Dia dos Namorados", mas boa parte dos solteiros,  pelas atitudes acima , não.

O dia de desejarmos alguém em plena essência, de rimos, de dizemos que gostamos deste, não precisa ser neste dia, tampouco em todos, afinal em muitos destes não queremos dizer coisas... não queremos sentir relações entre pais e filhos ou pensar como nosso tempo é perdido - mesmo sabendo que é, ou simplesmente não estamos bem . O dia do desejo, da paixão, do amor, é o dia que o nosso oculto acorda querendo dizer não o que o amor é - afinal, há  um milhão de deltas e números pins pra essa resposta -  mas o que ele tem, em palavras, poesias, gestos, músicas, qualquer coisa livre...


 
O amor tem aquele tombo do quase sem querer, querendo...
O amor tem esse lirismo requintado da trova, a liberdade da poesia, a breguice precisa da novela...
O amor tem as suas várias e inúmeras filosofias.
O amor tem seu narcisismo, mas também tem  a incessante procura de um outro, da sua Mônica, do seu Eduardo...
O amor tem sua simplicidade, mas requer cuidado, pois ele pode deixar de ser simples e levá-lo até Lacan.
O amor  tem sagacidades, das mais variadas possíveis...




O amor tem, por vezes, a sua esquizofrenia, o seu passional, e ainda assim, não se desacredita dele.
O amor pode ter o seu  momento "ticket to ride", mas antes pode ter o seu "fogo e paixão".
O amor tem esse quê de mistério vazio, que entra época, sai séculos, os poetas por mais que o sintam até à flor de suas peles, não conseguem preencher.
O amor tem sua queda, que às vezes dói demais, e não tem volta.
O amor tem a sua boemia.
O amor tem sua foda com desejo irreprimível.
O amor tem um blues escondido dentro dele; bom, belo, ruim, mas louco para ser tocado numa noite fria.
 
Nada contra quem gosta de viver o  "Dia dos Namorados", isso é fator de escolha, opção, viva-o , se for preciso, mas não  torne sentimento  em paranoia que ainda não há. Não, não.  Deixe ele andar  no quase sem querer,  aparecer antes das seis, depois da chuva, deixe ele ser cantado em Monte Castelo, deixe ele gostar de meninos e meninas,  com viloãozinho  ou no seu próprio blues, mas não  faça dele apenas um dia de vinte - e - quatro horas!


Não vulgarizemos o amor, porque ele, apesar de tudo, ainda é show de bola.



K.C

19 comentários :

  1. O amor não pode levar ninguém até Lacan, mas a mentira, que você inteligentemente não cita, que nem Freud explica.
    Muito bom texto – completíssimo - Valeu Kelly.

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  2. Kelly, eu quero vinte nove amigos para perguntar que país é este? Pois transformamos uma data que tem o belo (não o cantor!!!) em algo dividido em um zilhão de pedaços e vendido, como você diz, em doze vezes no cartão...Aquele sentimento que é estar por estar, gostar por gostar e querer passar o dia de papo pro ar com a pessoa que amamos. Mas o marketing, a publicidade criam falsas sensações que se tornam verdadeiras aos olhos de gente que não vê o quadro completo. Amar sim é bom, mas todos dias e por nenhum motivo que não meramente amar. Sem falsas expectativas, sem falsos pretextos. Só o de viver uma aventura a dois, sejam eduardos e monicas, sejam sei lá quem...

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  3. Espera, estou retomando o fôlego ainda...
    Porra! (Se me permite o palavrão)...
    Entrei aqui e comecei a ler o post sem esperar muito e acabei lendo o maior post que já li na minha vida... Hahaha
    Incrível! Definitivamente INCRÍVEL seu post...
    Envolvedor... que joga a verdade na cara do leitor!

    Gostei MUITO! Do fundo do meu coração!
    Meus parabéns! =]

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  4. Kelly, eu discordo do Ventura Picasso, o amor pode nos levar à psicanálise sim, dependendo de como for, não sei se disse nesse sentido, mas foi o que entendi. E o seu texto de uma maneira geral foi maravilhoso, pq. eu ri com ele, do seu sarcasmo de sempre, pensei e me emocionei na parte em que você falou das coisas que o amor tem. Crônica enorme e deliciosa de ser lida, até mesmo por que, você soube explorar o dia dos namorados com essa propaganda agora que tá tendo do Eduardo e Mônica, que a Legião voltou a ser mais observada, sempre foi, agora está mais. Abraço.

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  5. Oi, Kelly. Eu concordo com você. O dia dos namorados não inventou o amor e extremamente ridículo mulheres enviando flores para si mesmas, homens se lamentando e tudo mais. É simplesmente mais uma data comercia e só.
    Ah! E serve também para deprimir aqueles de mente fraca.
    Beijos :*

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  6. Primeiro, adorei a fotinho do banner, fofa.
    Segundo, muito bom post. Para pensar...Mas o amor é um sentimento presente, sempre e sempre, de todas as formas, não existe alguém que não ame, mesmo que a si próprio. Então...
    bjos
    http://draclaudiabenevides.blogspot.com

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  7. Que beleza de texto hein Kelly, com uma dozezinha de sarcasmo a mais, mas ficou muito bom!
    Vc escreve muito bem e a gente vai lendo, vai lendo e quando vê já leu uma novela, mas que valeu a pena!

    Obrigado por comentar no meu blog, e não sou personagem não, hahahaha, sou real e aquelas estórinhas também.

    Vou seguir aqui.

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  8. traduzindo: o amor é teeenso, bem tenso aushaua. eu tambem axo q o dia dos namorados é hipocrisia, mas ja é tarde, a data ja está na nossa mente, nos nossos circuitos, na sociedade.
    Admiro as pessoas que conseguem simplesmente ignora-la. pois eu, se fosse mulher, com certeza estaria me empanturrando de chocolate kkk. mas como nao sou, passei o dia jogando video game < nossa que nerd> mas entao, é isso. e adorei as relacoes do texto com legiao.
    bju

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  9. "o amor tem por vezes sua esquisofrenias"
    claro. Você não ama sozinho. E a dúvida pode te deixar na melhor das hipóteses paranoico

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  10. Oi, Kelly, tudo bem?
    Parabéns pelo post e pelo blog!

    Você já ouviu falar na Dieta do Impostão? É uma campanha criada pelo Sistema Firjan a favor de impostos mais justos e melhor aplicação desses recursos. Vale a pena conferir a campanha: http://www.dietadoimpostao.com.br/
    Participe! Afinal, ajudar não para imposto :-)

    Abs,
    Iolanda Vieira
    Equipe da Dieta do Impostão

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  11. Muito bom está de parabéns esse post foi bem escrito é o século da solidão mesmo e digo mais é o começo do fim e por ai em diante só ira mais complicar mais corações se esfriaram, rumores de guerra apareceram e tudo mais.... muito bom o post...!

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  12. Tempo doente o nosso.

    Seguindo.

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  13. uma data inventada para neurar os fracos de cabeça...

    sinceramente? me divirto! rsrsrs


    show teu blog!
    bjsmeus

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  14. Oi, Kelly, tudo bom?

    Senti a mesma coisa que você ontem...rs eram tantos posts no FB falando sobre 24 do dia dos namorados q causaram um incômodo.

    Parabéns pelo texto

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  15. Surpreendente!

    Belas palavras, sempre.

    Também acredito que o "Dia dos Namorados" é comercial, e que está virando uma paranóia devido a solidão.

    Mas, por outro lado, faço parte desse dia comercial... Compro presentes para minha namorada sim, compro porque sei que ela precisa que isto seja feito, embora ela não seja materialista, é sentimental como a maioria das mulheres.

    Embora dê presentes para ela em dias não comemorativos, fazendo com toda certeza valer por mais de meras 24hrs, sei que vislumbrar uma cena onde casais trocam presentes faria pensar que talvez eu não ligue para isso, e não ligo mesmo, mas partindo deste mesmo pensamento viria o "Ou será que ele não liga pra mim?" ...

    Sobre a Solidão... Não sejamos injustos, alguns momentos são importantes, ainda que solitários, desde que não se faça também uma doença paranóica.

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  16. Falei, falei... E esqueci de deixar aqui os parabéns...


    PARABÉNS!
    Belo texto!

    bjs.

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  17. HAHAHA Belíssimo texto. Adorei a parte do 'homens choramingando' uhuhuhuhuh. Eu passei o dia dos namorados vendo filme com o namorado e o o enteado xD

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  18. Nossa que topico "estranhamente romantico"! rsrsrsrsrs
    várias coisas legais nesse post aqui, mas o que mais gostei foi a foto do chaves com a chiquinha!
    huahuahuahuaha

    tem muita gente que pira mesmo com o dia dos namorados e eu não acho que seja por falta de amor, mas por se sentirem "inadequados" à sociedade nesse dia. O mesmo motivo que faz certas pessoas pirarem por não ter uma bolsa da guess ou um relógio da Diesel: Moda.

    Acho que quem quer amar de verdade ta pouco se importando para o dia da semana, do mes ou do ano.

    Não sou nem um pouco romantica e só lembrei que dia 12 era dia dos namorados quando fui no cinema assistir "se beber não case II" e vi uma quantidade incomum de casais na fila. No mais, meu domingo foi apenas outro de ressaca, diversão e descanso.

    E aposto que foi bem melhor do que o de muitos "enamorados"...

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  19. Eu me deprimi no dia dos namorados...
    Eu também queria alguém para estar do meu lado e comer chocolate ¬¬ (que gay...)
    Eu...

    Eu ...

    E mais um monte de Eu queriam muitas coisas que não podemos ter, nunca teremos, ou viveremos para conseguir...

    O dia dos namorados representa muito bem o que o amor talvez seja: A POSSE ... (oia!)

    Possessão é a faceta (macete, jogo) do amor...

    Um amor puro, que envolva liberdade, é pura loucura!!!! Um dos lados sempre vai ser possessivo!!

    Esse amor puro, querer bem, desejar infinitamente, cegar em fronte de, aumentar a realidade a ponto de ser platônico...

    Esse amor é fundamental, o platônico e o Ágape; As duas extremidades sublimes: Amar por mim e amar por ti.

    Amar tanto que teu é desnecessário, meu amor é desnecessário, o amor não é meu nem teu... é nosso amor...

    Talvez a família, talvez os animais, talvez as crianças, talvez Jesus, talvez os universitários loucos, talvez buda, ou budapeste ¬¬... (1000 graça)

    Bom seja um talvez, ou ainda há de ser, o amor é louco... mais do que eu amando...

    :D

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