7 ondas que ela conta







Que ano! E como navegamos rápido nele! 


Para mim e uma parte, um ano de mudanças maravilhosas, nem sempre à la Acapulco ou à la Caribe, mas que muito acrescentaram. 


Para outros, o ano foi um verdadeiro teste de sobrevivência como Náufrago. 


Para o país, uma versão trash e piorada do Navio Fantasma... 








Mas independente de qual tenha sido o longa metragem deste ano,  por algum motivo sobrevivemos e estamos prestes a roteirizar as 7 ondas outra vez. Elas são capazes de filmar ângulos que, às vezes, a gente nem se da conta ou ninguém conta. 


Se eu pudesse escrever sobre elas , o meu script sairia mais ou menos assim: 

1. Não planeje demasiadamente as coisas, apenas se envolva, faça e deixe que elas fluam... 

2. Gastos com coisas te endividam, com livros te lapidam, com viagens te transformam, com experiências te enriquecem. 

3. O que as pessoas pensam sobre sua personalidade sempre será um problema frequente, mas delas e não seu.

4. Expectativas por mais inevitáveis que sejam serão sempre suas, então não leve as tão a sério. 

5. Não procure o Nemo se não valer a pena, deixe que Iemanjá se encarregue.

6. Incorpore a esquecida Dori com pessoas levianas, malas e pedantes até que elas se cansem.

7. Saiba a hora de dar tchau aos ciclos que acabam e dizer bem vindo aqueles que vierem.



Tal como as ondas do mar, as coisas acontecem e desacontecem o tempo inteiro , o que precisamos mesmo é encontrar um jeito de nadar pra poder cuidar de si, se a ressaca bater, e curtir a maré, quando ela vier.




Feliz 2018!






K.C






Fique por dentro das resenhas, entrevistas e tudo do livro "Quasi di Verdadi" disponível na Saraiva e Amazon aqui. 



Um insight sobre o tempo







Os olhos arregalaram. Sim, meus olhos arregalaram e não foi por um espanto de uma notícia que não se espera ou por ver uma transa alheia de alguém na sacada do prédio...

Os olhos espantaram ao olhar pro calendário e perceber o quanto este ano está passando rápido e eu nem percebi! Já é novembro, como assim?! Ai bateu uma pressa, de repente. Pressa de terminar prazos, pressa de viver, concretizar coisas que passaram na cabeça...mas também olhei pro tanto de coisas que já rolaram e eu também não me dei conta. 

A gente acaba muito olhando pro tempo cronológico das coisas e esquece que o tempo já é, não é preciso se apressar porque neste exato momento ele já está sendo, independente de nós. O que muda são as escolhas diante dele. Acredito que seja mais ou menos como aquela frase do Saramago "não tenhamos pressa, mas não percamos tempo." . Faz sentido... - mas nem sempre funciona em tempos líquidos.




K.C



via Instagram @kelly_christi




Fique por dentro das resenhas, entrevistas e tudo do livro "Quasi di Verdadi" disponível na Saraiva e Amazon aqui. 

Parágrafos de liberdade

Tatuagens de Kelly Christi/ Instagram



[Era pra ser uma legenda das minhas tattoos rs, mas quando vi já era uma mini- crônica, leia se quiser]

Às vezes, me perguntam das minhas tatuagens então resolvi postar, já que nem sempre elas aparecem nas fotos. À direita é minha borboleta, eu fiz há um bom tempo, estava na faculdade ainda, aprendendo a ter a minha própria liberdade e esse é o principal significado dela pra mim.

Como uma boa filha de aquarius, eu não gosto de me sentir presa,  eu prezo por liberdade em todos os sentidos, no meu modo de viver, de pensar,  de me expressar, de amar também ( não , não, isto tem nada a ver com libertinagem ou da liberdade de pegar os bofinhos, mas sim com a liberdade de escolha em ter ou não ter alguém.).

À esquerda, não é um símbolo de organização secreta, como às vezes eu brinco por aí, e o pior é que alguns acreditam rsrs, é um parágrafo tatuado no meu braço direito, ela é mais ou menos recente e simboliza o que a escrita é na minha vida, ela faz parte do meu ganha-pão já que trabalho com jornalismo e conteúdo criativo - e como trabalho!!!.

É ainda por onde expresso meus anseios, meus desejos, é aquilo que me salva de viver num mundo hostil , é por onde crio ângulos e personagens que às vezes eu nem sabia que estavam ali, transbordando na minha cabeça .

Parágrafo também aquilo que sucede o ponto final. É a prova de que histórias começam e acabam, que sempre vai haver uma forma de começar novas histórias não só na imaginação, mas na vivência do dia a dia, isto é encantador.

Se elas serão boas ou ruins já não sei,  não tenho mais a insistência em controlar a vida ou saber onde ela vai parar... a gente planeja um monte de coisas e de repente acontece uma vírgula que muda todo o contexto, o ponto final e parágrafo seguinte.

No fundo, ninguém consegue controlar a vida, ela é um parágrafo indecifrável.

                           K.C


#tattos #liberdade #crônica #gratidão #kellychristi

via Instagram @kelly_christi



Fique por dentro das resenhas, entrevistas e tudo do livro "Quasi di Verdadi" disponível na Saraiva e Amazon aqui. 

Quanto vale um crush?





Um leitor mandou um e-mail, me pedindo pra escrever uma crônica sobre crushes e as relações enroladas que, às vezes, eles trazem. Sinceramente, eu nunca consegui entender muito bem essa onda de crushes, por mais que, de repente, eu sinta que sou crush de alguém e alguém acaba virando meu crush

O papo pode até parecer adolescente, mas da minha própria experiência e de amigos de várias idades que me contam causos : crushes muitas vezes não ficam só naquela paquerinha platônica,  de leve, como o sentido da palavra sugere, não.  Às vezes é divertido, mas um envolvimento maior com o crush pode virar um sentimento mais forte que não se sabe bem o que é e ai que começa a história...

Em um belo dia, em alguma rede social , algum aplicativo ou um lugar físico qualquer os crushes aparecem, alguns você nem leva a sério, mas sempre tem um que bate pinta. Começam a trocar mensagens todos os dias que despertam interesses, vocês se encontram, ficam de vez em quando, até que um dia já não sabem bem explicar o que estão sentindo um pelo outro, e nem onde isso vai parar.

Passam a vasculhar as redes sociais para ver qual é a concorrência em potencial, não curtem nenhuma de suas postagens, param de responder com frequência ou deixam o outro esperando resposta, afinal  o silêncio é necessário, por que você precisa demonstrar ao crush que não está nem aí, e é verdade, não é mesmo?

Aliás, rola até um ciuminho, mas o jeito é fingir que você abstraiu, já que não há relação definida entre vocês e nada se pode cobrar, desejar, ou criar expectativas e vida que segue para os próximos crushes, mesmo que de vez em quando você bisbilhote o que o crush passado anda fazendo, mas não significa que seja importante. 

Já ouviu  ou viveu alguma historinha parecida?  Eu “nunca”. 




Se no século 19, tudo isto era considerado uma paixão, e já estaríamos morrendo em uma epidemia de tuberculose, hoje, tentamos rotular em diversos nomes, como “crush”, o que sentimos e acabamos vivendo em uma epidemia de incertezas, sem saber o que fomos e aos poucos nos tornarmos lembranças vagas de alguém. 

Talvez, aquele crush que acaba mexendo com sua cabeça feito uma guitarra do Jimi Hendrix , seja complicado de lidar por que, se a gente parar pra pensar... acabamos lidando com muitos sentimentos sozinhos, sem sair do pedestal: expectativas - por mais que a gente seja responsável por todas elas, desejos,  sonhos, ciúmes,  e ai fica cada um de um lado bisbilhotando o perfil do outro, imersos em conclusões nem sempre verdadeiras, sem conseguir dizer o que sente, por mais passageiro que aquilo possa ser, e é difícil carregar o que a gente sente pelo outro sozinho.  


O Bauman costumava dizer que todas as relações vivem na ausência de perspectivas, são instáveis, tudo isso gera angústias e medos que nos paralisam e também fazem com que as pessoas  se conectem mais e se relacionem menos, nisso a gente acaba ficando mais individualista, acreditando que as coisas só dependem de nós mesmos e os sentimentos também, mas não é simples assim.

Não somos robôs,  não dá pra viver de  conselhos que nos digam como não se envolver ou não criar expectativas, isso pode acontecer, ao mesmo tempo os crushes só existem por que temos  liberdades de escolha maiores pra se relacionar e todas elas têm um preço. 

Dentro de todo esse leque de opções que a vida líquida trouxe – crush, affair, rolo-só-que-não a única pergunta que vale a pena é : quanto vale um crush?  Até que ponto vale a pena dizer o que você sente para o crush? Ele está fazendo mal ou bem?  Será que o crush merece sua consideração e que você carregue adiante todo o rolo?

A resposta vai estar até que preço vale pagar por isso e até que ponto seu crush está valendo a pena, se está trazendo coisas boas ou não, porque todas as relações são incertas, tudo depende do quanto estamos dispostos a pagar por elas dentro do nosso tempo. 



K.C


Fique por dentro das resenhas, entrevistas e tudo do livro "Quasi di Verdadi" disponível na Saraiva e Amazon aqui.